INAUGURAÇÃO EM JARAMA
Apesar de haver actualmente vários e modernos autódromos em Espanha, a pista mais carismática continua a ser a de Jarama. Vejamos como tudo começou, em 23 de Julho de 1967, dia da sua inauguração.
A pista, que foi desenhada por Javier Aranda e John Hugenholz, é muito bonita, com um traçado à moda da época, com desníveis, subidas e descidas naturais, curvas apertadas, … poucas escapatórias e … pouca visibilidade para o público das bancadas, o que actualmente já não se usa.
Em Dezembro de 1966, disputou-se uma prova de teste, sendo disputadas duas provas, para automóveis de Turismo, uma nacional e outra internacional.
A pista de Jarama foi inaugurada em Julho de 1967 e o facto é que pouca gente saberá que no programa da Inauguração estiveram 5 Campeões do Mundo de F1 e uma das corridas foi ganha por um português: Carlos Gaspar.
Do programa constavam 4 provas. A primeira foi a curiosa “Fórmula IV” (com motores de motos Montesa, Bultaco e Ducati), na altura a principal fórmula de promoção em Espanha, que apresentava um plantel de 18 carros de curiosas marcas espanholas como a Hispakart a Tapias ou a Guepardo. O vencedor seria o piloto-construtor Miguel Tapias à média de 94 km/h. Entre os participantes nesta prova, salientem-se os nomes de Luciano Otero, Luís P. Villamil, “Jean Claude” ou Alberto Ruiz Gimenez.
A corrida de “GT, Desporto e Protótipos” apresentou uma bela lista de participantes: Alex Soler Roig, o melhor piloto espanhol na altura e que chegou a ser piloto da Lotus na Fórmula 1 em 1970, guiava um Porsche 910 cedido pela fábrica. Em Porsche 906 (Carrera 6) apareciam Robert Buchet, o galego Juan Fernandez e o suíço André Wicky. Havia dois Alpine M-67 oficiais para Mauro Bianchi e o Príncipe Jorge de Bragation (futuramente vencedor em Vila Real 71, Montes Claros 70 e 71 e Estoril 82). O Jolly Club apresentava um Alfa Romeo TZ para Paolo de Leonibus. O piloto semi-ofical da BMC Geoffrey Mabbs surgia com um leve e competitivo Protótipo denominado Unipower GT (com mecânica do Mini Cooper S). Entre os 23 participantes apareciam os portugueses Jean Pier no Matra Djet e Carlos Santos e José Lampreia, que com dois Lotus 47 podiam ser dos principais oponentes dos 4 Porsche.
Os portugueses tiveram actuação meritória e Lampreia chegou a ser 3º antes de desistir com problemas no depósito de água. Carlos Santos também desistiu com problemas de travões. O vencedor foi o esperado Soler Roig seguido de Wicky, Bianchi e Bragation.
Do programa constava uma corrida de Turismo que reuniu 27 concorrentes. Entre eles, os Porsche 911 de Juan Fernandez e “Roter Baron Ben” um sinistro personagem que se deslocava de helicóptero para as provas! Outros nomes conhecidos eram Estanislao Reverter (Glas 1304 GS), António Albacete (Seat), Georges Houel (piloto francês que correu em provas internacionais quase até aos 80 anos). Em Alfa Romeo GTA apareciam os espanhóis Miguel Carvajo e Francisco Godia, ex. piloto de Fórmula 1 dos anos 50 e o português Carlos Gaspar no GTA que lhe havia dado o título Nacional em 1966. Em Mini Cooper S apareciam (entre muitos outros) José Maria Juncadella (carro preparado em Portugal por Jaime Nunes Rodrigues), Manuel Lopes Gião e o inglês Barrie “Whizzo” Williams num carro semi-oficial.
Gaspar (que durante a prova foi sempre referido nos altifalantes como um “piloto italiano”…) deu um festival de condução, vencendo com 26 Seg. de avanço sobre Juan Fernandez e teria em breve outras alegrias na pista madrilena, pois em 1968 venceria aí uma corrida de Fórmula 3.
A seguir ficaram os 3 minis de Williams, Gião e Juncadella. Gião ficou a apenas 6 Seg. do inglês e foi um dos protagonistas da corrida, deixando “cartel” em Espanha. O carro com que correu, o Austin Cooper S com a matrícula “FG-96-10”, é agora pertença do piloto Fernando Soares e está completamente restaurado segundo os padrões da época. O excêntrico Barrie Williams ainda hoje está em actividade, tendo em 2003 estado (e vencido) no Estoril Historic Festival e obtido a pole-position em FIA-TC no Goodwood “Festival of Speed” ao volante de …um Mini!
Para completar o programa o “prato forte”, a prova de Fórmula 2. A lista de participantes (20) era valiosa: havia grandes nomes como Jackie Stewart, Jacky Ickx, Jean Pierre Beltoise e Johnny Servoz-Gavin (Matra-Ford), Jack Brabham e Jochen Rindt (Brabham-Repco), Jim Clark e Graham Hill (Lotus-Ford), Brian Redman (Lola-Ford), Piers Courage (McLaren) e carros estranhos, como os Harris Costin Protos de Pedro Rodriguez de Brian Hart (futuro preparador de motores). Estes carros foram mais uma criação do genial e arrojado Mike Costin que, juntamente com Keith Duckworth, deu nome à famosa marca COSworth. Destaque-se que a prova contava para o Campeonato da Europa, mas os pilotos de Fórmula 1 apesar de poderem participar, não pontuavam.
No início da prova assistiu-se a um domínio de Stewart durante as primeiras 15 voltas, mas a partir daí assistiu-se ao domínio de Jim Clark que com o seu Lotus 48-Ford venceu à média de 131.4 km/h. A seguir classificaram-se Stewart (a 9 Seg.), Chris Irwin (o melhor do “Campeonato de F2”), Brabham e Servoz.
Estava inaugurada a primeira pista permanente da Península Ibérica. Conseguiram um programa valioso onde juntaram os seus melhores pilotos (Soler Roig, Juncadella, Bragation, Godia), alguns dos melhores portugueses (Gião, Gaspar, Santos e Lampreia), Campeões do Mundo de F1 (Stewart, Clark, Brabham, Rindt e Hill) e outros Grandes (Ickx, Beltoise, Rodriguez, Redman). A pista espanhola seria aliás palco de inúmeras vitórias portuguesas, exibições memoráveis e algumas desclassificações estranhas, nas décadas de 60 e 70.
Mas agora o que se diz é que a pista vai ser demolida, será que Jarama vai sucumbir à visível expansão urbanística? Situada a 28 km de Madrid e construída num local onde em 1967 não vivia quase ninguém, o facto é que o circuito hoje está praticamente inserido na zona urbana da periferia da própria cidade. Segundo apurámos, a ideia é construir uma pista moderna, junto ao Aeroporto de Barajas e com … o mesmo desenho da actual!
Todas as novidades do Team Mini 2018 e também imagens da actualidade desportiva e da história do automobilismo de competição em Portugal.
26 de fevereiro de 2012
19 de janeiro de 2012
14 de janeiro de 2012
OS MEUS CARROS
Hoje lembrei-me de colocar aqui fotos de alguns dos carros que tive. Só irão figurar nesta lista os carros que estiveram registados em meu nome ou da minha mulher...
AUSTIN COOPER S MK2 (1969)
Está actualmente transformado em carro de competição - Grupo 2
Comprei-o em 2001 e foi desde logo feito para esse efeito.
MORRIS COOPER MK2 (1968)
Está original e foi homologado no CPAA. Comprei-o em 1997.
Morris Clubman (1974)
Foi meu apenas um ano. Tinha cerca de 50.000 km. Vendi-o porque quase nunca anda com ele...
BMW 316 (1979)
Era da minha sogra. Utilizei-o durante quase 2 anos como "2º carro". Tinha um grave defeito, "gastava muito"...
FIAT 850 SPORT COUPÉ (1969)
Comprei-o em 1994 e vendi-o em 1997. Era bonito mas o facto é que não gostava muito de o conduzir...
MG METRO 1300 (1987)
Tive-o cerca de 1/2 anos. Comprei-o em 1999. Era bonito, mas tinha uma suspensão muito fraca...
Mazda MX 5 (1992)
Tive-o cerca de 5 anos sendo o meu carro do dia-a-dia. Fiz com ele cerca de 80.000 km. Deixou-me saudades, sem dúvida...
Toyota Starlet 1.3 (1983)
Andei à procura de um e comprei este. Depois vendi-o na altura em que comprei o AX ex.Troféu...
CITROEN AX GTI "EX.TROFÉU" (1991)
É um carro de competição, ex. Mário Silva e ex. Sande e Castro. tenho-o desde 2009.
CITROEN AX GTI (1991)
Está original e serve para uns passeios ao Domingo de manhã. Tenho-o desde 2010.
AUSTIN 1300 (1973)
Foi-me oferecido por uma Tia minha. Como nunca andava com ele vendi-o para a Madeira...
PEUGEOT 106 XSI (1995)
Foi o carro da minha mulher, mas confesso que entre Citroen e Peugeot sou 100% a favor da 1ª...
RENAULT 5 TLC (1979)
Foi o meu primeiro carro. Foi do meu pai e antes tinha sido de uma tia minha. Tive-o durante 2 anos e vendi-o com 140.000 km.
AUSTIN 1000 MK2 (1969)
Nesta foto ao lado do Cooper na minha antiga garagem.
VW PASSAT TDI VARIANT (2000)
É o meu carro do dia-a-dia. Tem mais de 300.000 km mas ainda vai ter que fazer muitos mais. Serve também para levar o material para as corridas e até tem gancho de atrelado...
VOLVO S40 (1998)
É o carro da minha mulher actualmente. Está em bom estado mas só anda, em média, uma vez por semana...
VW PASSAT TD 1.6 VARIANT (1989)
Era do meu cunhado que faleceu num acidente e agora está em nome da minha mulher. Mas que a usa habitualmente é o meu sogro. Foi nela que me desloquei na viagem de núpcias...
E Faltam por exemplo:
CITROEN AX 11 TRE (1988)
CITROEN ZX AVANTAGE (1992)
CITROEN ZX TONIC (1995)
FIAT UNO 45S (1992)
Hoje lembrei-me de colocar aqui fotos de alguns dos carros que tive. Só irão figurar nesta lista os carros que estiveram registados em meu nome ou da minha mulher...
AUSTIN COOPER S MK2 (1969)
Está actualmente transformado em carro de competição - Grupo 2
Comprei-o em 2001 e foi desde logo feito para esse efeito.
MORRIS COOPER MK2 (1968)
Está original e foi homologado no CPAA. Comprei-o em 1997.
Morris Clubman (1974)
Foi meu apenas um ano. Tinha cerca de 50.000 km. Vendi-o porque quase nunca anda com ele...
BMW 316 (1979)
Era da minha sogra. Utilizei-o durante quase 2 anos como "2º carro". Tinha um grave defeito, "gastava muito"...
FIAT 850 SPORT COUPÉ (1969)
Comprei-o em 1994 e vendi-o em 1997. Era bonito mas o facto é que não gostava muito de o conduzir...
MG METRO 1300 (1987)
Tive-o cerca de 1/2 anos. Comprei-o em 1999. Era bonito, mas tinha uma suspensão muito fraca...
Mazda MX 5 (1992)
Tive-o cerca de 5 anos sendo o meu carro do dia-a-dia. Fiz com ele cerca de 80.000 km. Deixou-me saudades, sem dúvida...
Toyota Starlet 1.3 (1983)
Andei à procura de um e comprei este. Depois vendi-o na altura em que comprei o AX ex.Troféu...
CITROEN AX GTI "EX.TROFÉU" (1991)
É um carro de competição, ex. Mário Silva e ex. Sande e Castro. tenho-o desde 2009.
CITROEN AX GTI (1991)
Está original e serve para uns passeios ao Domingo de manhã. Tenho-o desde 2010.
AUSTIN 1300 (1973)
Foi-me oferecido por uma Tia minha. Como nunca andava com ele vendi-o para a Madeira...
PEUGEOT 106 XSI (1995)
Foi o carro da minha mulher, mas confesso que entre Citroen e Peugeot sou 100% a favor da 1ª...
RENAULT 5 TLC (1979)
Foi o meu primeiro carro. Foi do meu pai e antes tinha sido de uma tia minha. Tive-o durante 2 anos e vendi-o com 140.000 km.
AUSTIN 1000 MK2 (1969)
Nesta foto ao lado do Cooper na minha antiga garagem.
VW PASSAT TDI VARIANT (2000)
É o meu carro do dia-a-dia. Tem mais de 300.000 km mas ainda vai ter que fazer muitos mais. Serve também para levar o material para as corridas e até tem gancho de atrelado...
VOLVO S40 (1998)
É o carro da minha mulher actualmente. Está em bom estado mas só anda, em média, uma vez por semana...
VW PASSAT TD 1.6 VARIANT (1989)
Era do meu cunhado que faleceu num acidente e agora está em nome da minha mulher. Mas que a usa habitualmente é o meu sogro. Foi nela que me desloquei na viagem de núpcias...
E Faltam por exemplo:
CITROEN AX 11 TRE (1988)
CITROEN ZX AVANTAGE (1992)
CITROEN ZX TONIC (1995)
FIAT UNO 45S (1992)
12 de janeiro de 2012
MERLYN FÓRMULA FORD (1970-2011)
Texto de José Mota Freitas
Publicado na revista Topos & Clássicos de Janeiro de 2011
Uma das marcas directamente ligadas à história da Fórmula Ford portuguesa é a Merlyn, que teve 6 exemplares por si fabricados como representantes nas provas nacionais. Hoje vamos ver algumas imagens das principais provas dos Merlyn nas provas portuguesas, entre 1970 e 2011.
PILOTO Artur Passanha (foto Rui Bevilacqua)
FACTO No ano de estreia dos MK17, Passanha venceu em Montes Claros (o 2º circuito), mas aproveitando as desclassificações por motivos técnicos dos dois primeiros na meta, Christian Melville (Merlyn) e Luís Fernandes (Lotus).
Esta prova ficou manchada com o gravíssimo acidente de José Baptista dos Santos nos treinos (Curva do Gonzalez), que destruiu completamente o seu Lola e lhe ter terminou uma já longa e excelente carreira.
CURIOSIDADE Artur Passanha foi o único piloto a vencer uma prova de campeonato de Fórmula Ford (1970-1972) ao volante de um Merlyn. Nesta altura (1970) conduzia simultaneamente um Ford Escort GT nas provas de Turismo.
PILOTO Santos Mendonça(foto site Autosport)
FACTO António Santos Mendonça competiu em Merlyn entre 1970 e 1978, primeiro num MK17, depois num MK20A equipado com motor Scholar, o carro que está na foto, obtida na Rampa da Pena em 1972. Diz-se que este carro era um ex. Jody Scheckter, reconstruído após grande acidente do futuro Campeão Mundial de F1…
CURIOSIDADE Mendonça, um dos grandes impulsionadores da importação dos Merlyn, nunca ganhou nenhuma prova do Nacional. Mas obteve o 2º lugar no campeonato de 1972, atrás do Lotus de Ernesto Neves. Em 1973 seria um dos pilotos do Team BIP.
PILOTO Christian Melville (foto arquivo ACP)
FACTOS O piloto francês foi em 1970 o primeiro na meta nas provas de Vila Real (onde até bateu Ernesto Neves) e em Montes Claros, mas em ambas as ocasiões foi desclassificado. Melville não se conformou com isso e dizia que as irregularidades que o seu carro alegadamente apresentava eram admitidas em Inglaterra, já que o Merlyn “tinha vindo assim” …
CURIOSIDADE Melville adquiriu o seu MK17 em Inglaterra à escola de Jim Russell. Este carro vinha equipado com um motor Scholar ao contrário dos outros 3 carros da marca, comprados novos, que traziam de fábrica propulsores construídos por Chris Steele. O seu MK17 ficou destruído em 1971 nos treinos de Vila Real.
PILOTO Frederico Abecassis (foto José Lino Oliveira)
FACTOS O Merlyn MK17-Steele de Frederico Abecassis veio para Portugal juntamente com os carros de Artur Passanha e Santos Mendonça. O melhor resultado do piloto nortenho, que antes conduzira Mini Cooper S e BMW 2002 Ti, foi a 2ª posição em Vila do Conde, 1971. A sua última prova no Merlyn cinzento e preto foi a Rampa da Pena de 1972, onde obteve o 5º lugar na categoria.
CURIOSIDADE Ao contrário dos dois outros MK17 que eram inicialmente preparados por Mário de Jesus (e integrados no chamado “Team Merlyn Mário”), o carro de Frederico Abecassis estava entregue à preparação de Mestre Jaime Rodrigues.
PILOTO Artur Passanha (foto jornal Motor)
FACTO Uma única vez em campeonatos, em Julho de 1972, um Merlyn atravessou a meta em 1º lugar numa prova de FF, Passanha venceu à frente de Robert Giannone (Lotus 61M) e Portela Morais, que foi o primeiro entre os “Vês”.
CURIOSIDADE O piloto do Merlyn-Steele aproveitou no entanto a ausência do favorito Ernesto Neves e o acidente que vitimou o trio da frente, composto pelo holandês Roelof Wunderink (Lotus), António Barros (Lotus) e Santos Mendonça (Merlyn).
PILOTO António Borges (foto João Paulo Sotto Mayor, Livro V.C.)
FACTO Em 1972 A. Borges obteve bons resultados em FF, nomeadamente os 2ºs lugares em Vila do Conde e no Circuito Nacional do ACP (Estoril).
CURIOSIDADE O Merlyn de Borges era o ex. carro de Frederico Abecassis. Note-se a versatilidade de um piloto que fazia pódios em monolugares mesmo ano em que foi Campeão Nacional de Ralis ao volante de um Porsche 911 S…
Após estas provas de Borges em 1972, este carro nunca mais voltou às pistas portuguesas, mas António Borges irá regressar à modalidade em 1985…
PILOTO Carlos Azevedo (foto revista Motor)
FACTOS Em 1973 não houve campeonato para os Fórmula Ford (e Vê), já que uma curiosa cláusula dos regulamentos do ACP dizia: “…o ACP não organizará campeonatos naquelas categorias que no ano anterior se haja constatado terem perdido o seu interesse e que nesse estado se tenham mantido…”.
Carlos Azevedo (ex. Barbicaxo nos primeiros anos da Fórmula Vê…) após o acidente de Vila Real 1971, apenas apareceu esporadicamente na Inauguração do Estoril (Fórmula 3) e em algumas provas espanholas de Fórmula 1430. Entretanto regressou para vencer esta prova na sua única aparição no Merlyn.
CURIOSIDADE Carlos Azevedo realizou em 1971 uma excelente temporada de FF na Inglaterra ao volante de um Pallisser, obtendo 2ºs lugares nas provas de Thruxton, Brands Hatch e Silverstone. Em Abril, no Europeu de FF, Azevedo foi 11º classificado e Ernesto Neves (no Lotus 61M) foi o 12º. O vencedor foi Mo Harness num Lotus 69 idêntico ao que depois viria para Portugal, para Nené.
PILOTO Mário Silva (foto revista Motor)
FACTOS Em 1976 Mário Silva adquiriu o Merlyn MK17 Steele ex. Artur Passanha e ex. Carlos Azevedo. Venceu várias provas na sua categoria e muitas vezes também à geral. O carro por sua vez foi evoluindo, transformando-se progressivamente de um “Fórmula Ford” até um carro de “Fórmula Livre”…
CURIOSIDADE O facto mais curioso do ano foi sem dúvida o repto lançado por Mário Silva a Santos Mendonça: “que trocavam de carros e ele ganhava na mesma”. Isto devido às dúvidas suscitadas por Mendonça acerca da cilindrada do carro de Silva. No entanto o piloto do Merlyn-Scholar nunca aceitaria o desafio!
O carro de Silva seria posteriormente aberto na Garagem Aurora, tendo-se constatado que tinha 1586 cc! Aliás, no Circuito do Estoril em 1977, Mário Silva venceu (seguido de Mendonça) com o motor do carro reconstruído pelo Joaquim Nicodemos, e, ao que parece, com peças Ford de série!
PILOTO Santos Mendonça(foto revista Motor)
FACTO Para as provas de Fórmula Livre, Mendonça foi evoluindo o seu MK20 ao longo de 1977 e 78, ficando o carro com vistosos apêndices aerodinâmicos à frente e atrás, além de usar pneus slicks, interditos nas provas de FF.
CURIOSIDADE Santos Mendonça nunca venceu uma prova à geral no Fórmula Ford, mas venceu entre os FF por três vezes, Estoril 76 (duas provas) e Estoril 77. No ano de 1976 venceu o Troféu de Fórmula Livre (Grupos 6 e 8), suplantando assim os GRD de Carlos Santos e Lumaro que embora fossem mais rápidos que o seu Merlyn, estiveram ausentes em algumas das provas pontuáveis.
PILOTO Miguel Florentino (foto revista Automundo)
FACTOS Em 1978 Mário Silva comprou o Lola T204 de Honorato Filipe e vendeu o seu Merlyn MK17 a Miguel Florentino, que venceu por duas vezes entre os FF: Rampa das Meadas e Rampa da Lagoa Azul, ambas em 1980.
CURIOSIDADE Quando a Fórmula Ford finalmente regressou às nossas pistas, em finais de 1985 e após 12 anos de ausência, Miguel Florentino e o seu Merlyn eram os únicos intrusos numa grelha composta por mais de duas dezenas de modernos Van Diemen RF85. Dizia-se que o carro iria reaparecer nas provas seguintes “com um motor Scholar em vez do Steele”, mas isso não chegaria a acontecer…
PILOTO Fernando Gaspar (foto revista Automundo)
FACTO Gaspar apareceu em 1981 em algumas rampas ao volante do MK20 ex. Santos Mendonça. O carro apresentava ainda algumas alterações já conhecidas, mas apresentou uma nova frente, muito mais aerodinâmica. Gaspar venceu entre os Fórmula Livre a Rampa das Meadas, disputada em Abril de 1981. Actualmente o responsável pela “Fórmula G” está a restaurar este carro a fim de com ele participar em algumas provas do Troféu que promove juntamente com a FPAK, o “Single Seaters Series”.
CURIOSIDADE Gaspar (Campeão Nacional em Grupo 1 em 1981) foi o último piloto a vencer uma prova à geral com um Fórmula Ford. Isso aconteceu na Rampa da Pena de 1980. Mas nessa altura o carro era um Lotus 61M e não um Merlyn…
PROVA Alberto Velez Grilo (foto Rui Queirós)
FACTO Alberto Grilo é um “gentleman driver” experiente, que já disputou em 1983 o Troféu MG Metro e nos últimos anos tinha sido um dos pilotos mais rápidos ao volante dos Catheram Seven. O seu Merlyn (chassis # 267/FF/70) é um carro com grande história no automobilismo nacional, já que, como vimos, pertenceu a Artur Passanha, Carlos Azevedo, Mário Silva e Miguel Florentino.
CURIOSIDADE Grilo já é proprietário do seu Merlyn há vários anos e assim aproveitou a criação do Troféu Single Seaters para colocar o carro no seu habitat natural, isto é a pista! Infelizmente um grave acidente destruiu quase completamente o MK17 na prova de Braga em Novembro, mas o seu proprietário (que felizmente nada sofreu fisicamente) decerto não deixará de restaurar esta peça histórica portuguesa.
PILOTO João Campos Costa (foto Rui Queirós)
FACTO João Paulo Campos Costa tem sido um dos mais rápidos entre os pilotos que correm no SSS em carros dos anos 70. Na prova do Historic Festival (AIA) de 2011 disputou até uma luta interessantíssima com o Mc Namara do campeão francês de FF Kent. O seu MK24 de 1973 (chassis # 121/FF/73) é magnificamente preparado na GFC Motor (Porto) de Adriano e Fernando Carneiro.
CURIOSIDADE A Merlyn Cars ainda hoje existe (http://www.merlyncars.com) e tem todos os moldes originais da Colchester Racing Developments, a empresa original que constrói automóveis desde os anos 60. Hoje em dia os Merlyn, juntamente com os Lotus, são os automóveis mais cotados na Fórmula Ford Histórica internacional.
Texto de José Mota Freitas
Publicado na revista Topos & Clássicos de Janeiro de 2011
Uma das marcas directamente ligadas à história da Fórmula Ford portuguesa é a Merlyn, que teve 6 exemplares por si fabricados como representantes nas provas nacionais. Hoje vamos ver algumas imagens das principais provas dos Merlyn nas provas portuguesas, entre 1970 e 2011.
PILOTO Artur Passanha (foto Rui Bevilacqua)
FACTO No ano de estreia dos MK17, Passanha venceu em Montes Claros (o 2º circuito), mas aproveitando as desclassificações por motivos técnicos dos dois primeiros na meta, Christian Melville (Merlyn) e Luís Fernandes (Lotus).
Esta prova ficou manchada com o gravíssimo acidente de José Baptista dos Santos nos treinos (Curva do Gonzalez), que destruiu completamente o seu Lola e lhe ter terminou uma já longa e excelente carreira.
CURIOSIDADE Artur Passanha foi o único piloto a vencer uma prova de campeonato de Fórmula Ford (1970-1972) ao volante de um Merlyn. Nesta altura (1970) conduzia simultaneamente um Ford Escort GT nas provas de Turismo.
PILOTO Santos Mendonça(foto site Autosport)
FACTO António Santos Mendonça competiu em Merlyn entre 1970 e 1978, primeiro num MK17, depois num MK20A equipado com motor Scholar, o carro que está na foto, obtida na Rampa da Pena em 1972. Diz-se que este carro era um ex. Jody Scheckter, reconstruído após grande acidente do futuro Campeão Mundial de F1…
CURIOSIDADE Mendonça, um dos grandes impulsionadores da importação dos Merlyn, nunca ganhou nenhuma prova do Nacional. Mas obteve o 2º lugar no campeonato de 1972, atrás do Lotus de Ernesto Neves. Em 1973 seria um dos pilotos do Team BIP.
PILOTO Christian Melville (foto arquivo ACP)
FACTOS O piloto francês foi em 1970 o primeiro na meta nas provas de Vila Real (onde até bateu Ernesto Neves) e em Montes Claros, mas em ambas as ocasiões foi desclassificado. Melville não se conformou com isso e dizia que as irregularidades que o seu carro alegadamente apresentava eram admitidas em Inglaterra, já que o Merlyn “tinha vindo assim” …
CURIOSIDADE Melville adquiriu o seu MK17 em Inglaterra à escola de Jim Russell. Este carro vinha equipado com um motor Scholar ao contrário dos outros 3 carros da marca, comprados novos, que traziam de fábrica propulsores construídos por Chris Steele. O seu MK17 ficou destruído em 1971 nos treinos de Vila Real.
PILOTO Frederico Abecassis (foto José Lino Oliveira)
FACTOS O Merlyn MK17-Steele de Frederico Abecassis veio para Portugal juntamente com os carros de Artur Passanha e Santos Mendonça. O melhor resultado do piloto nortenho, que antes conduzira Mini Cooper S e BMW 2002 Ti, foi a 2ª posição em Vila do Conde, 1971. A sua última prova no Merlyn cinzento e preto foi a Rampa da Pena de 1972, onde obteve o 5º lugar na categoria.
CURIOSIDADE Ao contrário dos dois outros MK17 que eram inicialmente preparados por Mário de Jesus (e integrados no chamado “Team Merlyn Mário”), o carro de Frederico Abecassis estava entregue à preparação de Mestre Jaime Rodrigues.
PILOTO Artur Passanha (foto jornal Motor)
FACTO Uma única vez em campeonatos, em Julho de 1972, um Merlyn atravessou a meta em 1º lugar numa prova de FF, Passanha venceu à frente de Robert Giannone (Lotus 61M) e Portela Morais, que foi o primeiro entre os “Vês”.
CURIOSIDADE O piloto do Merlyn-Steele aproveitou no entanto a ausência do favorito Ernesto Neves e o acidente que vitimou o trio da frente, composto pelo holandês Roelof Wunderink (Lotus), António Barros (Lotus) e Santos Mendonça (Merlyn).
PILOTO António Borges (foto João Paulo Sotto Mayor, Livro V.C.)
FACTO Em 1972 A. Borges obteve bons resultados em FF, nomeadamente os 2ºs lugares em Vila do Conde e no Circuito Nacional do ACP (Estoril).
CURIOSIDADE O Merlyn de Borges era o ex. carro de Frederico Abecassis. Note-se a versatilidade de um piloto que fazia pódios em monolugares mesmo ano em que foi Campeão Nacional de Ralis ao volante de um Porsche 911 S…
Após estas provas de Borges em 1972, este carro nunca mais voltou às pistas portuguesas, mas António Borges irá regressar à modalidade em 1985…
PILOTO Carlos Azevedo (foto revista Motor)
FACTOS Em 1973 não houve campeonato para os Fórmula Ford (e Vê), já que uma curiosa cláusula dos regulamentos do ACP dizia: “…o ACP não organizará campeonatos naquelas categorias que no ano anterior se haja constatado terem perdido o seu interesse e que nesse estado se tenham mantido…”.
Carlos Azevedo (ex. Barbicaxo nos primeiros anos da Fórmula Vê…) após o acidente de Vila Real 1971, apenas apareceu esporadicamente na Inauguração do Estoril (Fórmula 3) e em algumas provas espanholas de Fórmula 1430. Entretanto regressou para vencer esta prova na sua única aparição no Merlyn.
CURIOSIDADE Carlos Azevedo realizou em 1971 uma excelente temporada de FF na Inglaterra ao volante de um Pallisser, obtendo 2ºs lugares nas provas de Thruxton, Brands Hatch e Silverstone. Em Abril, no Europeu de FF, Azevedo foi 11º classificado e Ernesto Neves (no Lotus 61M) foi o 12º. O vencedor foi Mo Harness num Lotus 69 idêntico ao que depois viria para Portugal, para Nené.
PILOTO Mário Silva (foto revista Motor)
FACTOS Em 1976 Mário Silva adquiriu o Merlyn MK17 Steele ex. Artur Passanha e ex. Carlos Azevedo. Venceu várias provas na sua categoria e muitas vezes também à geral. O carro por sua vez foi evoluindo, transformando-se progressivamente de um “Fórmula Ford” até um carro de “Fórmula Livre”…
CURIOSIDADE O facto mais curioso do ano foi sem dúvida o repto lançado por Mário Silva a Santos Mendonça: “que trocavam de carros e ele ganhava na mesma”. Isto devido às dúvidas suscitadas por Mendonça acerca da cilindrada do carro de Silva. No entanto o piloto do Merlyn-Scholar nunca aceitaria o desafio!
O carro de Silva seria posteriormente aberto na Garagem Aurora, tendo-se constatado que tinha 1586 cc! Aliás, no Circuito do Estoril em 1977, Mário Silva venceu (seguido de Mendonça) com o motor do carro reconstruído pelo Joaquim Nicodemos, e, ao que parece, com peças Ford de série!
PILOTO Santos Mendonça(foto revista Motor)
FACTO Para as provas de Fórmula Livre, Mendonça foi evoluindo o seu MK20 ao longo de 1977 e 78, ficando o carro com vistosos apêndices aerodinâmicos à frente e atrás, além de usar pneus slicks, interditos nas provas de FF.
CURIOSIDADE Santos Mendonça nunca venceu uma prova à geral no Fórmula Ford, mas venceu entre os FF por três vezes, Estoril 76 (duas provas) e Estoril 77. No ano de 1976 venceu o Troféu de Fórmula Livre (Grupos 6 e 8), suplantando assim os GRD de Carlos Santos e Lumaro que embora fossem mais rápidos que o seu Merlyn, estiveram ausentes em algumas das provas pontuáveis.
PILOTO Miguel Florentino (foto revista Automundo)
FACTOS Em 1978 Mário Silva comprou o Lola T204 de Honorato Filipe e vendeu o seu Merlyn MK17 a Miguel Florentino, que venceu por duas vezes entre os FF: Rampa das Meadas e Rampa da Lagoa Azul, ambas em 1980.
CURIOSIDADE Quando a Fórmula Ford finalmente regressou às nossas pistas, em finais de 1985 e após 12 anos de ausência, Miguel Florentino e o seu Merlyn eram os únicos intrusos numa grelha composta por mais de duas dezenas de modernos Van Diemen RF85. Dizia-se que o carro iria reaparecer nas provas seguintes “com um motor Scholar em vez do Steele”, mas isso não chegaria a acontecer…
PILOTO Fernando Gaspar (foto revista Automundo)
FACTO Gaspar apareceu em 1981 em algumas rampas ao volante do MK20 ex. Santos Mendonça. O carro apresentava ainda algumas alterações já conhecidas, mas apresentou uma nova frente, muito mais aerodinâmica. Gaspar venceu entre os Fórmula Livre a Rampa das Meadas, disputada em Abril de 1981. Actualmente o responsável pela “Fórmula G” está a restaurar este carro a fim de com ele participar em algumas provas do Troféu que promove juntamente com a FPAK, o “Single Seaters Series”.
CURIOSIDADE Gaspar (Campeão Nacional em Grupo 1 em 1981) foi o último piloto a vencer uma prova à geral com um Fórmula Ford. Isso aconteceu na Rampa da Pena de 1980. Mas nessa altura o carro era um Lotus 61M e não um Merlyn…
PROVA Alberto Velez Grilo (foto Rui Queirós)
FACTO Alberto Grilo é um “gentleman driver” experiente, que já disputou em 1983 o Troféu MG Metro e nos últimos anos tinha sido um dos pilotos mais rápidos ao volante dos Catheram Seven. O seu Merlyn (chassis # 267/FF/70) é um carro com grande história no automobilismo nacional, já que, como vimos, pertenceu a Artur Passanha, Carlos Azevedo, Mário Silva e Miguel Florentino.
CURIOSIDADE Grilo já é proprietário do seu Merlyn há vários anos e assim aproveitou a criação do Troféu Single Seaters para colocar o carro no seu habitat natural, isto é a pista! Infelizmente um grave acidente destruiu quase completamente o MK17 na prova de Braga em Novembro, mas o seu proprietário (que felizmente nada sofreu fisicamente) decerto não deixará de restaurar esta peça histórica portuguesa.
PILOTO João Campos Costa (foto Rui Queirós)
FACTO João Paulo Campos Costa tem sido um dos mais rápidos entre os pilotos que correm no SSS em carros dos anos 70. Na prova do Historic Festival (AIA) de 2011 disputou até uma luta interessantíssima com o Mc Namara do campeão francês de FF Kent. O seu MK24 de 1973 (chassis # 121/FF/73) é magnificamente preparado na GFC Motor (Porto) de Adriano e Fernando Carneiro.
CURIOSIDADE A Merlyn Cars ainda hoje existe (http://www.merlyncars.com) e tem todos os moldes originais da Colchester Racing Developments, a empresa original que constrói automóveis desde os anos 60. Hoje em dia os Merlyn, juntamente com os Lotus, são os automóveis mais cotados na Fórmula Ford Histórica internacional.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

























































